quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Já me disseram que a palavra saudade só existe na língua portuguesa. Que nenhuma outra língua pode expressar em uma única palavra esse sentimento que pode ser péssimo e, ao mesmo tempo, tão agradável. Bom, se isso for verdade, felizes somos por termos como colonizadores os velhos patrícios lusitanos. Na verdade, acredito que essa seja a única vantagem do pioneirismo português em terras tupiniquins, mas, enfim, isso é uma outra história. 
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Um cheiro, um som, um lugar, uma roupa, uma foto, um gosto, um misto de coisas que faz a nostalgia correr por nossas entranhas e nos deixar inertes por alguns segundos. Nesse tempo de vida até nossa atual maturidade, leitor, apreendemos em nosso interior coisas que por um motivo nem sempre explicável nos fazem querer voltar ao passado. Pessoas que foram embora, um sorriso que não mais ilumina nosso olhar, a alegria do festejar, o abraço de uma amizade, a aurora da juventude, três ou quatro notas de uma melodia que nos fazem voltar à companhia de alguém distante, de um momento alegre. Nos fazem voltar à presença do amor forte que ainda não desfaleceu. Do carinho que ainda está presente mesmo com o morrer do tempo, com o cair das folhas, com o anoitecer. Sentimento forte é a saudade que nos faz sermos nós, e falo nós porque em sentimentos somos iguais. Uns mais evidentes. Outros não. 
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Daqui a algum tempo, longo ou não, sei que vou sentir falta de relatar meus devaneios em um lugar aberto para quem quiser comigo compartilhá-los. E, sendo assim, o texto se fará a mais pura realidade da palavra saudade.

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sábado, 10 de janeiro de 2009

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Sentir o vento no rosto
os cabelos voando
O calor ardendo
o frio queimando
A respiração no ouvido
os dentes no pescoço
Com a ponta do dedo
na pele, ver os pelos levantando
O melhor dos sentidos é o tato
nos deixa mais próximos
um pouco mais humanos
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Linhas tortas

ah!! .. como eu queria entender as coisas da vida . como se sai da perdição e se encontra o céu em tão pouco tempo? .. como o que dizemos vira pó apenas com um toque de pele, com um longo piscar de olhos, com um suspiro mais profundo ??? .. como teu cheiro ainda está em minhas roupas se os vícios da vida já não te prendem ? ??? ???
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Todos nós estamos sujeitos a mudanças repentinas de comportamento. As pessoas mais corretas podem cometer ações jamais por elas imaginadas, e os mais libertinos podem participar das mais belas obras. Pense duas vezes antes de criticar as ações de alguém. Nunca diga "eu jamais faria isso", porque, tenha certeza de que sim, você faria. A única coisa necessária para se dar um tiro é puxar o gatilho. Estamos rodeados de acontecimentos de todas as naturezas por toda nossa vida, que nos forçam a reagir de diferentes maneiras a diferentes situações. As coisas que aprendemos a diferenciar como certo ou errado são apenas pontos de vista sob ângulos diferentes. O que é o certo? Me diz o que é o errado? As opiniões, a respeito de qualquer coisa na vida, são concretamente moldáveis. Ao olhar para o lado e ver alguém numa situação não tão agradável, pense "poderia ser eu" e, em vez de recriminá-lo, faça-o mudar de opinião. A ajuda é a melhor crítica.
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Nunca escrevi linhas tão tortas. E espero que volte a fazê-las.
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domingo, 21 de dezembro de 2008

Uma carta para você

Talvez você nunca saiba desta carta. E mesmo que saiba, não saberá que foi escrita para você. Vai pensar "para quem será que ele está escrevendo?". Talvez você nem se dê conta do acontecido. Talvez o acontecido não tenha acontecido - ao menos para você. Talvez na tua mente ainda esteja recente. Ou pareça que ocorreu há muito. Mas o que importa é que os flashes marcaram minha retina e o molde do teu corpo deformou minha mão. Teus olhos fugindo dos meus e tua boca mentindo para minha. Teu sorriso absorto em excesso de libido, me chantageando para que eu fizesse da noite uma fugaz eternidade. Tua silhueta difusa na escuridão do ambiente repleto de dizeres. Dizeres estes que jamais entenderão o cortejo do nosso bailar. Dizeres que pertencem àqueles que, na inveja da solidão, se entregam ao mais ridículo palavriar. Mesmo vendo que o que deseja está entre teus braços, se nega a trilhar o mais curto caminho ao jardim dos deuses. Figuras estas - que só podem ser divinas - que sopraram a graça da beleza sobre teu corpo e que brincam comigo, me queimando na fogueira do mundano. Você se nega a fazer o que mais quer, apenas para dizer que não fez o que queria. Apenas para deixar subentendido que a inibição faz parte do querer.
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Você não saberá que esta carta é para você, mesmo que um dia venha a lê-la.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Oralidade escrita

O ofício de ensinar alguma coisa a alguém é um dos mais árduos existentes nesse Brasil varonil. E nem estou me referindo às péssimas condições de trabalho e salários vergonhosos dos professores da rede pública de educação. A questão é que as pessoas aprendem apenas o que lhes interessam, o que lhes vêm mais a calhar.
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A língua portuguesa, sem dúvidas, é uma das mais difíceis do mundo. Tantas conjugações, advérbios, pronomes, acentos ... que mesmo os nativos - inclusive os entendidos - têm dificuldades em usá-la. Confesso que por vezes já estive encurralado por um "x" ou um "ç" que quis estrangular-me com suas garras literárias. Mas um exemplo prático de que aprendemos esse difícil português apenas quando nos interessa é no uso de palavras de baixo calão. É, palavrões mesmo.
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O uso de próclise em início de frase é considerado errado segundo as normas gramaticais da língua portuguesa. Por exemplo, na frase "Te amo.", o pronome é empregado de maneira errada. O correto seria falarmos "Amo-te.", usando o pronome após o verbo. Mas como, mais uma vez digo, aprendemos apenas o que nos interessa, em um palavriado muito chulo que usamos comumente o pronome é utilizado de maneira correta, inclusive na líguagem oral: "Foda-se.". Nesse caso, o pronome é aplicado corretamente em ênclise. Ninguém, nem mesmo os analfabetos, dizem "Se foda.".
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Outro exemplo, agora em inglês, de que aprendemos apenas o que não interessa, ou melhor, apenas o que nos interessa, é seafood dish e poor her. A fonética dessas palavras soa familiar a alguns tipos de palavrões nacionais - você, leitor, sabe muito bem quais. Da primeira vez que escutamos estas palavras gravamos de imediato. Podemos esquecer às vezes o que é carrot ou onion, mas seafood dish ninguém jamais esquecerá.
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O professor que faz seus alunos aprenderem coisas úteis de fato com a mesma facilidade com que aprendem coisas nem tão importantes deveria ganhar um prêmio - nem que fosse de consolação.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O tempo leva tempo, ou não

Há vezes em que o tempo demora a passar. Cada segundo leva outros 12 para se consumir e, com isso, um dia de 24 horas leva uma eternidade para acabar. Você pensa "cacete, a hora não passa!", e xinga Cronos de todos os nomes que nós, reles mortais, inventamos. Isso costuma acontecer em situações desagradáveis, como em filas de banco, engarrafamentos ou na espera ansiosa pelo encontro com a pessoa amada (ou, pelo menos, desejada).
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Mas também há vezes em que o tempo simplesmente "voa" e, quando isso acontece, a tristeza supera a angústia por um tempo que não passa. Quando a hora corre depressa, é sinal de que o que estamos fazendo naquele instante é prazeroso, gratificante, e que nos perdemos de tal forma na distração da beleza momentânea, que não sentimos o tempo passar. E, com isso, xingamos Cronos novamente.
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Se pudesse bater um papo com esse deus brincalhão, pediria a ele para que todas as horas passassem lentamente. Parece estranho querer que momentos ruins passem devagar, mas, pensando bem, apenas desta forma os instantes fugazes de felicidade durariam mais tempo. Até mesmo a agonia da espera tem sua beleza. Com o tempo correndo mais devagar, os sorrisos brilhariam por mais tempo, os abraços marcariam mais as roupas, os perfumes nos hipnotizariam por longos momentos e tudo, tudo de bom, seria com mais intensidade aproveitado. Não que eu não aproveite meus momentos felizes. Mas é que tudo que é bom - por mais que dure horas e horas - dura pouco. Você há de concordar comigo, leitor. O ser humano é insaciável por natureza. Sempre queremos mais e mais do que nos agrada.
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O tempo passa inclusive para seres que moram na nossa imaginação. Até os personagens da Turma da Mônica estão sentindo o tempo passar. Seu criador, Maurício de Sousa, está desenvolvendo uma nova série desta história em quadrinhos chamada Turma da Mônica Jovem, no estilo de desenho mangá, onde os personagens atingiram seus 15, 16 anos. Nesta nova fase, o personagem Cascão toma banho (mas não sempre), Mônica fez um regime e emagreceu e Cebolinha, agora chamado de Cebola, recorreu a fonaudiologia e só troca a pronuncia dos "r"s pelos "l"s quando está nervoso. É nesta nova série que ocorre o primeiro beijo de Mônica e Cebolinha:




Não tenho o que reclamar das coisa que passaram pela minha vida - ainda bem. O que resta é apenas saudade de momentos, pessoas, sentimentos ... ...

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Oscar Wilde disse uma vez que "a tragédia da velhice não está no fato de sermos velhos, mas sim no fato de acharmos que ainda somos jovens".
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E eu só tenho 20 anos.
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Ainda.




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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Pense

Por que tudo que faz mal é bom?


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