Já me disseram que a palavra saudade só existe na língua portuguesa. Que nenhuma outra língua pode expressar em uma única palavra esse sentimento que pode ser péssimo e, ao mesmo tempo, tão agradável. Bom, se isso for verdade, felizes somos por termos como colonizadores os velhos patrícios lusitanos. Na verdade, acredito que essa seja a única vantagem do pioneirismo português em terras tupiniquins, mas, enfim, isso é uma outra história.
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Um cheiro, um som, um lugar, uma roupa, uma foto, um gosto, um misto de coisas que faz a nostalgia correr por nossas entranhas e nos deixar inertes por alguns segundos. Nesse tempo de vida até nossa atual maturidade, leitor, apreendemos em nosso interior coisas que por um motivo nem sempre explicável nos fazem querer voltar ao passado. Pessoas que foram embora, um sorriso que não mais ilumina nosso olhar, a alegria do festejar, o abraço de uma amizade, a aurora da juventude, três ou quatro notas de uma melodia que nos fazem voltar à companhia de alguém distante, de um momento alegre. Nos fazem voltar à presença do amor forte que ainda não desfaleceu. Do carinho que ainda está presente mesmo com o morrer do tempo, com o cair das folhas, com o anoitecer. Sentimento forte é a saudade que nos faz sermos nós, e falo nós porque em sentimentos somos iguais. Uns mais evidentes. Outros não.
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Daqui a algum tempo, longo ou não, sei que vou sentir falta de relatar meus devaneios em um lugar aberto para quem quiser comigo compartilhá-los. E, sendo assim, o texto se fará a mais pura realidade da palavra saudade.
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